Garçom de PC Farias conta como corpos foram encontrados em Guaxuma

06/05/2013 19h24
Luciano Milano

O garçom Genival (dir.) depõe, observado pelos réus (Crédito: Itawi Albuquerque)
O garçom Genival (dir.) depõe, observado pelos réus (Crédito: Itawi Albuquerque)

Citado em diversos momentos nos autos do processo do caso das mortes de PC Farias e Suzana Marcolino, o garçom Genival da Silva França – que serviu as últimas refeições ao casal com vida – é a segunda testemunha a ser ouvida no primeiro dia do julgamento que começou na tarde desta segunda-feira (6), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. No depoimento ao juiz Mauricio Brêda e ao promotor Marcos Mousinho, Genival França afirmou que ajudou a arrombar a janela do quarto onde PC e Suzana foram encontrados mortos. Naquele início de madrugada, PC havia pedido ao garçom que o acordasse por volta das 11h da manhã do domingo, 23 de junho de 1996.

“Fui dormir por volta das 2h30 da manhã e sei que o doutor Paulo e Suzana estavam acordados, porque quando passei para ir dormir na casa dos funcionários, ouvi música lá dentro. Fui dormir, acordei acho que umas 10 horas e fui chamar o doutor Paulo, como ele me pediu. Bati na porta, ninguém atendeu e fui tentar pela janela. Como também não houve resposta, chamei o segurança Reinaldo, expliquei a situação e tentamos arrombar a porta com uma tesoura. Como não conseguimos, pedimos ao caseiro Leonino uma ferramenta, e ele trouxe um cavador”, disse o garçom.

“Em seguida, o Reinaldo abriu a janela forçando com o cavador, pulou, viu os corpos na cama, pôs a mão no pescoço dele e voltou dizendo que aquela mulher, a Suzana, havia acabado com a nossa vida. Também fiquei desesperado, mas não entrei no quarto. Reinaldo não sabia o que fazer e eu perguntei a ele se queria falar com o deputado Augusto Farias. Eu tinha uma agenda eletrônica e passei o número para ele ligar. Em meia hora, o doutor Augusto chegou na casa com o Marco Maia. Ele também entrou no quarto pela janela e ficou desesperado”, relembrou Genival da Silva.

Augusto não tinha o hábito de jantar na casa de praia

O ex-funcionário de PC Farias ainda respondeu a mais perguntas sobre o dia do crime. Disse que Augusto Farias não tinha o hábito de jantar com PC na casa de Guaxuma. Mas o fez no dia que PC foi morto com Suzana Marcolino.

“O doutor Augusto não ia jantar nem frequentava a casa de praia, pelo que me lembre. Mas ele foi lá no dia em que tudo aconteceu, e foi com a namorada, a Milane. O doutor Paulo acordou cedo [na véspera, o sábado 22 de junho], foi caminhar na praia, voltou, ficou na piscina com os filhos, bebeu champanhe, depois vinho no almoço e me pediu que levasse uísque porque o irmão dele ia jantar na casa de praia, o que não era comum. Pelo que me lembro, isso só aconteceu naquele dia”, afirmou o garçom.

Augusto também jantou com PC e Suzana, segundo depoimentos anteriores.

Augusto Farias, na época deputado federal, chegou a ser indiciado como suspeito da morte de  PC e Suzana, mas acabou sendo impronunciado. Interrogado pelo juiz Maurício Breda, o garçom afirmou que nunca presenciou qualquer desavença entre os dois irmãos. “Nunca vi briga, discussão ou qualquer coisa do tipo com os doutores Paulo César e Augusto Farias”.

Suzana ‘pegou o espírito’ de Elma Farias, diz garçom

Genival da Silva França revelou que PC Farias comentou que Suzana Marcolino “pegava o espírito” da esposa de PC, Elma Farias, falecida em 1994. Genival da Silva França afirmou que PC e Elma Farias “gostavam de mexer com essas coisas” e que PC “tinha uma mãe de santo, que atendia pelo nome de Miriam”, a quem sempre consultava.

“Inclusive, um dia o doutor Paulo César disse lá na casa de praia que a Suzana pegou o espírito da dona Elma, quando o doutor estava preso no Corpo de Bombeiros e deu muito trabalho para resolver o problema. Ele teve que chamar a mãe de santo, Dona Miriam, para ajudar a retirar o espírito da dona Elma”, declarou o garçom.

Outro episódio descrito por Genival da Silva França foi uma tentativa de suicídio de Suzana Marcolino. “Houve um telefonema de uma mulher para o doutor Paulo e, em seguida, uma discussão. Chorando, ela saiu de casa e foi para a praia. O doutor me chamou e me pediu para segui-la; falei para o meu irmão, que também trabalha na casa, e ele foi atrás dela, quando viu que a Suzana entrou no mar para morrer. Então ele a tirou de dentro da água, ela resistiu e depois desmaiou”, descreveu. Ele [PC} chegou a terminar o relacionamento uma vez, ele falou isso lá na casa", disse.

Augusto e a ex-namorada depõem nesta terça

Milane Valente, que era namorada de Augusto Farias na época – os dois ficaram com PC e Suzana, na casa de Guaxuma, até o final da noite fatídica – vai prestar depoimento nesta terça-feira (7). Ela chegou a ser chamada e sentou no baoco das testemunhas, mas como passava das 20 horas e o dia havia sido muito movimentado, o juiz Maurício Brêda decidiu que Milane vai depor amahnhã, provavelmente pela manhã.

Augusto Farias também está na lista de depoentes desta terça-feira. Os dois depoimentos são aguardados com muita expectativa.

 

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