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Economia

Apicultura dinamiza economia no Sertão alagoano

Após a implantação do Programa de Arranjos Produtivos Locais, a produção de mel cresceu mais de 300% e o número de produtores de mel saltou de 68, em 2004, para 200, em 2008.

11:02 - 02/08/2008 --


A cultura do mel no Sertão alagoano seria apenas mais uma atividade produtiva não fossem os resultados apresentados. Em quatro anos, a apicultura ganhou força, por meio do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), e vem modificando as condições socioeconômicas de uma região marcada pelo baixo grau de desenvolvimento. Com a implantação de infra-estrutura e a criação de cooperativas, a produção de mel obteve um crescimento superior a 300%.

Segundo relatório apresentado pelo gestor do Arranjo Apicultura no Sertão, Alberto Brasil, após a implantação do programa, o número de produtores saltou de 68, em 2004, para 200, em 2008. Já são 475 pessoas, dos treze municípios contemplados pelo arranjo, envolvidas direta ou indiretamente na atividade. A produção, que antes era de aproximadamente 30 toneladas de mel por ano, agora supera as 100 toneladas.

“Apesar de apresentar elevado grau de desmatamento, a região possui um grande potencial produtivo, com o uso técnicas adequadas de manejo da vegetação, do solo e da água. É nesse contexto que a apicultura mostra-se viável, sendo uma das poucas atividades que contribui para a melhoria das condições sociais, econômicas e ecológicas; adapta-se perfeitamente à agricultura familiar, não demandando muito tempo nem recursos financeiros para o seu desenvolvimento e dando retorno a curto e médio prazos”, disse Brasil.

Entre as principais ações viabilizadas pelo APL estão a criação de uma cooperativa de apicultores (Coopeapis), elaboração da marca Mel do Sertão, implantação de agentes de desenvolvimento rural, capacitação técnica dos envolvidos e um projeto pioneiro de casa de mel e entreposto.

Além dessas ações, o arranjo possibilitou que a Coopmel, cooperativa com sede em Maceió, atendesse às demandas dos apicultores da região, com a transferência de sua sede para a cidade de Pão de Açúcar. “Houve um momento em que já havia produção, mas os produtores encontravam dificuldades em comercializar os seus produtos, porque a cooperativa não atendia às necessidades dos produtores do Sertão. Os produtores identificaram tal deficiência e, a partir daí, tiveram todo o apoio na formação da Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Derivados Apícolas em Alagoas — (Coopeapis)”, declarou Alberto Brasil.

Case de sucesso — O programa trouxe um aumento na renda das famílias da região, como na de dona Cícera Alves da Silva, conhecida por Cícera Cupira, que é professora e agricultora familiar do município de Olho D’Água do Casado. Ela identificou na apicultura uma oportunidade de negócios. Capacitou-se e investiu recursos próprios na aquisição de 16 colméias. No primeiro ano, sua produção foi de sete quilos de mel. No segundo passou para 840 quilos.

Atualmente, ela possui 40 colméias. É agente de Desenvolvimento Rural e foi graças ao seu exemplo e de outros apicultores que o município possui uma Associação de Apicultores, com 18 sócios. Cícera Cupira não abandonou suas antigas atividades, tendo na apicultura um complemento de renda.

Expansão — A Coopeapis assinou, durante o mês de julho, contrato com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para venda de 10,252 toneladas de mel, o que movimenta um total de R$ 76.890,00. A efetivação desta ação era aguardada pelos 22 produtores beneficiários, que agora entregarão o mel a ser distribuído nos seus respectivos municípios, através da Pastoral da Criança e do Centro de Apoio Comunitário de Tapera em União a Senador (Cactus).

O Programa de Segurança Alimentar das instituições envolvidas prevê beneficiar 2.164 crianças nas faixas etárias de 1 a 6 anos que vivem em processo de exclusão social da zona rural dos municípios de Piranhas, Delmiro Gouveia, Olho D'Água do Casado, Senador Rui Palmeira, São José da Tapera e Água Branca, privadas dos mínimos direitos sociais previstos na Constituição Federal e que vivem basicamente da caridade e da filantropia.