"Além de pistoleiro é humorista", ironiza defesa de Ferro sobre réu

25/02/2014 17h22
Erik Maia

Zé Ilton e Cícero Ferro, disputa que começou na bala terminou no Jurí (Crédito: TNH1)
Zé Ilton e Cícero Ferro, disputa que começou na bala terminou no Jurí (Crédito: TNH1)

O principal acusado da tentativa de homicídio do então deputado estadual Cícero Ferro, José Nilton Cardoso Ferro, conhecido como Zé Nilton, conversou com o TNH1 sobre a sua versão dos fatos, em que contesta a versão oficial do crime ocorrido em 2004. Nilton irá a julgamento nesta quarta-feira, 26.

De acordo com Zé Nilton, que é primo de Cícero Ferro, não houve emboscada, o que houve foi um encontro que terminou de maneira trágica pelo "ímpeto" de Ferro. Ele diz que vinha em uma estrada na zona rural da cidade de Minador do Negrão, na região Sertão de Alagoas, quando percebeu o carro do ex-deputado e foi alertado que haviam sido alvejados por disparos de arma de fogo.

“Quando meu funcionário disse que nós havíamos sido atingidos eu manobrei o carro e me abaixei, não posso dizer ao certo o que aconteceu, mas não demos o primeiro tiro”, afirmou. 

Além disso ele disse que os homens que estavam com ele não tinham condições de efetuar o mais de 200 disparos que são atribuídos a ele. “Eu acredito que os homens que andavam com Cícero Ferro, que eram profissionais [do crime], é que metralharam o carro após o confronto com os meus filhos em Minador do Negrão”, explica.

Zé Nilton disse ainda que as marcas de balas que foram encontradas no seu carro provam que os disparos foram efetuados por Cícero Ferro.

“Ele quem efetuou o primeiro disparo, e nós encomendamos um laudo ao perito criminal Nivaldo Cantuária, que mostra que há uma perfuração no parabrisas da minha caminhonete, de fora para dentro, o que mostra que não fomos nós quem disparamos”, disse Zé Nilton.

Contudo, essas provas não constam no processo, já que o primeiro advogado que foi contratado para defendê-lo perdeu o laudo original, com as fotos originais, mas para o atual advogado, Raimundo Palmeira, isso não será empecilho para provar a inocência de Zé Nilton.

“O laudo da perícia oficial, mesmo não tendo sido feito no carro do meu cliente, vai ser suficiente para provarmos isso, já que lá aponta que no carro do ex-deputado haviam marcas de disparos efetuados de dentro pra fora, o que prova que o deputado é quem efetuou os disparos”, explicou Palmeira.

Palmeira aponta para uma série de contradições nos depoimentos e diz que Cícero Ferro, que foi atingido com um tiro na cabeça, pode não ter sido ferido no local do primeiro confronto.

“Todos sabem que após a emboscada houve uma troca de tiros entre os homens dele [Cícero Ferro] e os filhos de Zé Nilton, onde o um dos meninos foi atingido por um disparo no braço. Quem garante que não foi aí que Cícero Ferro não foi atingido?”, indagou o advogado.

Mesmo após 10 anos do crime, Zé Nilton teme por sua vida, tanto que ainda não decidiu se vai comparecer ao julgamento. “Meu advogado solicitou um escolta, mas não há como garantir que não sofrerei nenhuma emboscada”, disse ele.

Hoje, Zé Nilton e seus cinco filhos moram na capital do Maranhão, Imperatriz por "medo", afirma. “Eu tenho medo de encontrar com ele. E temo pela minha família. Todos conhecem a fama de truculência e de violência dele [Cícero Ferro]. Assim, como não ter medo dele?”, questionou.

Para o outro advogado que trabalha na defesa de Zé Nilton, Michael Cardoso, além das contradições que existem nos depoimentos das testemunhas arroladas pelos advogados do ex-deputado, a fama de violento de Cícero Ferro poderá ajudar a provar a inocência de seu cliente.

“Mesmo que as pessoas em Maceió não conheçam Zé Nilton, o Estado inteiro conhece Cícero Ferro. Acreditamos que foi por isso que o caso foi desaforado de Cacimbinhas para Maceió, para tentar construir uma imagem de criminoso contra ele, mas o povo de Minador [do Negrão] e daquela região, sabe quem é Zé Nilton, que nunca viveu de política, nem de crime. Tanto que a irmã dele se candidatou contra pessoas do ex-deputado à prefeitura de Minador e venceu por duas vezes”, afirmou, Michael.

O outro lado

O advogado do ex-deputado, Welton Roberto, rebateu as afirmações de Zé  Nilton, com ironia. "Não sabia que além de pistoleiro, ele [Zé Nilton] era humorista, porque essas declarações são apenas para aparecer. Vamos vê se ele vai contar a mesma história amanhã no julgamento", disse o advogado.

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