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Maceió

Protesto contra abuso no preço da gasolina paralisa posto no Farol

22:34 - 06/05/2011 -- Plínio Lins


O Posto Aliança, na Fernandes Lima, foi

Quase 300 veículos – automóveis, vans, picapes, de latas-velhas até carrões de último tipo, além de muitas motos – fizeram, na noite desta sexta-feira (6), um protesto inédito em Maceió. Para exigir a redução nos preços da gasolina e do álcool, eles saíram em carreata do estacionamento de Jaraguá e foram até o Posto Aliança, na Av. Fernandes Lima (ao lado do quartel do 59º BIMtz). Ali, um por um, abasteceram com 50 centavos de gasolina, pagaram no cartão de crédito e pediram nota fiscal. Foram atendidos.

Não havia líderes nem porta-vozes. A iniciativa foi inspirada em protesto semelhante que ocorreu há duas semanas em Brasília. Em Maceió, a mobilização começou na terça-feira, dia 3, pelas redes sociais (facebook, twitter e orkut), foi se espalhando, aumentando e, a partir de quarta-feira, acabou virando notícia no Tudo na Hora. Pela internet, grupos marcavam concentração em outros pontos de Maceió e “abastecimento” em outros postos, mas a maioria foi mesmo para o Posto Aliança. Tatiane Santos, estudante de marketing, 22 anos, era uma das mais animadas e, como conhecia muitos dos presentes, acabou virando uma espécie de referência ainda na concentração em Jaraguá, até na hora de decidir qual seria o posto "contemplado" com a visita da manifestação.

“Esse preço da gasolina em Maceió não tem explicação, não dá pra aceitar", dizia Tatiane. "Na Bolívia, que não produz petróleo, o preço da gasolina é R$ 1,70. O Brasil produz petróleo, Alagoas produz álcool e a gasolina passa de 3 reais? Aí não dá, tem que protestar mesmo”.

Buzinaço

Um buzinaço acompanhou todo o protesto, que foi bem-humorado e praticamente não teve problemas. Aliás, dois problemas: uma viatura da SMTT, que apareceu para controlar o trânsito, freou bruscamente e o motoqueiro Pedro de Araújo, 28 anos, que vinha atrás, acabou batendo na viatura e se ferindo no pé. O outro problema foi o engarrafamento na Fernandes Lima, no sentido Centenário-Tabuleiro: ele ia desde o posto, perto da Av. Rotary, até a Praça Centenário.

Os manifestantes estavam bem-humorados, mas inconformados com os preços da gasolina em Maceió, dos mais altos do Brasil – e com indícios da prática de cartel, com quase nenhuma diferença entre os praticados pela maioria dos estabelecimentos.

Na concentração, no estacionamento de Jaraguá, havia pouco mais de 50 veículos. Quando a carreata partiu para o Farol, outros motoristas foram se animando a participar. Na altura da Praça Centenário o trânsito começou a engarrafar. Com os veículos parados, uns perguntavam aos outros o que era aquilo e, ao saber, se decidiam: "Também vou". Outros, de dentro dos carros, chamavam amigos pelo celular. E a manifestação foi crescendo, até chegar a quase 300 veículos, segundo um guarda da SMTT que foi deslocado para controlar o tráfego no local. A fila de carros para abastecer 50 centavos, que no início percorria toda a frente do quartel do Exército, chegou a passar do viaduto do Cepa.  

Procon apoia

O protesto, intitulado “Pagando na mesma moeda”, foi acompanhado pelo Procon de Alagoas, que deu apoio e suporte. O coordenador de fiscalização do órgão, João Lessa Santos, com mais cinco fiscais, acompanhou tudo, desde a concentração até o “abastecimento” dos veículos e o pagamento com cartão. “Viemos porque o estabelecimento não pode se recusar a abastecer a quantidade que o cliente pedir, não pode se negar a receber pelo cartão de crédito e muito menos pode receber sem nota fiscal, porque aí seria sonegação”. Segundo ele, tudo correu sem problemas.

Uma xícara de gasolina

Problemão, na verdade, houve para os quatro frentistas que estavam no turno da noite. Dos 12 bicos (bombas) de gasolina e álcool do posto, só sete estavam operando. A fila imensa, o barulho infernal do buzinaço nos ouvidos, e ainda por cima ouvir piadas dos clientes que apareceram de repente em bando – os frentistas talvez não estivessem achando graça nenhuma naquilo, mas se mostravam pacientes – fazer o quê? Alguns até sorriam e posavam para fotógrafos e cinegrafistas, com o bico do combustível no tanque do carro.

Pode parcelar?”

“Abastecer” cada veículo com 50 centavos significava pingar no tanque do carro 0,131 litro de combustível – mais ou menos uma xícara, daquelas médias. Depois, cumprir todo o procedimento de inserir o cartão de crédito na maquininha, pedir senha ou assinatura, conferir e devolver o cartão com a nota fiscal. “Pelo menos ninguém está pedindo pra limpar o parabrisa e calibrar os pneus, ainda bem”, dizia aliviado um dos funcionários.

 Alguns mais gaiatos, antes de entregar o cartão ao frentista, ainda perguntavam: “Dá pra parcelar?”.

O último da fila

A fila andava devagar, mas ninguém desistia. Huebert Massano, publicitário e produtor de TV, 24 anos, era o último, no final do muro do quartel. Tinha chegado atrasado. Estava com a namorada, a estudante de arquitetura Thays Gabrielle, 22. Ficou na rabeira da fila porque os dois se perderam do protesto, rodaram por outros postos até achar o local certo. “Mas a gente não desistiu”, disse ele, animado. “Fazia tempo que os consumidores de Maceió não se mexiam contra alguma coisa. É assim que a gente pratica cidadania”.


Outras fotos da galeria:

João Lessa (dir.) e fiscais do Procon acompanharam o protesto

A concentração dos manifestantes foi no estacionamento de Jaraguá

O único tumulto: viatura da SMTT freou bruscamente e motoqueiro bateu

Na bomba do posto, 0,131 litro de gasolina por 50 centavos: a

A fila andava devagar npo posto, mas os consumidores não desistiram

Dentro do posto, buzinaço no protesto bem-humorado contra preço da gasolina

O protesto atraiu curiosos e mais manifestantes com seus veículos

Na hora de pagar os 50 centavos, cartão de crédito e a piada:

Na fila do protesto, o consumidor, paciente, espera sua vez teclando no notebook

Huebert e a namorada Thays, os últimos da fila: