Dor e revolta no enterro do médico morto em assalto no Vera Arruda

27/05/2012 18h05
Plínio Lins

Velório foi marcado pela comoção (Crédito: TNH)
Velório foi marcado pela comoção (Crédito: TNH)

Centenas de pessoas foram ao Campo Santo Parque das Flores, na tarde deste domingo (27) para o velório e sepultamento do médico José Alfredo Vasco Tenório, morto aos 67 anos com um tiro nas costas, na tarde do sábado (26), por um assaltante.

O médico pedalava sua bicicleta, no Corredor Vera Arruda, no Stella Maris, quando dois assaltantes o abordaram para roubar a bicicleta. O médico não obedeceu (ou não percebeu o assalto) continuou pedalando e recebeu um tiro de pistola calibre 46 nas costas. A arma dispara um tiro tão violento que o projétil entrou pelas costas, atravessou o corpo e saiu pelo peito. José Alfredo teve morte instantânea.

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O clima no velório era de dor e revolta. Colegas de trabalho, familiares, amigos, alunos e conhecidos não se conformavam com a morte brutal do médico, em pleno dia e num local de muito movimento, principalmente nos fins de semana.

José Alfredo deixa viúva, Vitória Palmeira Tenório, três filhos (Eduardo, André e Alfredo) e duas netas.

A viúva, Vitória, ficou o tempo todo ao lado do caixão e não falou com a imprensa. Um dos filhos, André, , de 35 anos, não escondia a revolta com a violência que assola Maceió. “Um cidadão de bem não pode andar armado que vai preso. Mas deputado, vereador, políticos em geral, andam com seguranças armados até os dentes porque sabem que há violência em Alagoas”, disse o rapaz.

“Meu pai morreu com um tiro nas costas para levarem uma bicicleta que não vale 100 reais. Esse é o preço da vida dele. É revoltante, a dor é muito grande. A gente tem que lutar para amenizar essa dor e essa revolta que não faz bem. Mas o poder público não faz nada contra essa violência toda”.

André disse que perto de onde seu pai foi morto havia um PM Box. “Nós, moradores da região, já tentamos de toda forma e não conseguimos que o PM Box voltasse. Se ele estivesse ali meu pai não tinha sido assassinado”, protestou André.

O professor Eduardo Lyra, cunhado de José Alfredo, lamentava a perda. “Além dos laços familiares, eu tinha com o Zé Alfredo laços de amigo e sempre o admirei. Médico respeitado, professor da Uncisal, construiu uma boa família, era um pai dedicado, avô apaixonado, uma pessoa do bem”, afirmou Lyra. Perde-se uma vida destas forma estúpida. A violência se banaliza a cada dia nos nossos passeios públicos. O Zé Alfredo saía todo dia para fazer sua caminhada ou dar suas pedaladas, e num sábado, em plena tarde, acontece isso. É uma tragédia nas nossas vidas e na sociedade de Maceió. Eu o conhecia há quase 40 anos; há mais de 30 sou casado com a irmã dele, Tereza. Estamos todos muito tristes, com muita saudade. Ele vai fazer uma falta imensa, é uma perda irreparável”.

O médico Marco Mota, amigo de muitos anos de José Alfredo, não se conformava com o ocorrido. “Meu sentimento é de revolta. Falar de tristeza e saudade pela morte dele é chover no molhado. Olhando para a morte brutal do Zé Alfredo, você pode ver o seu pai, o seu irmão, o seu filho que chega tarde em casa. A violência está em toda parte, pode causar uma tragédia com qualquer um, a qualquer momento”.

Ciclistas farão protesto terça-feira

O presidente da Associação dos Ciclistas, Carlos Alberto Araújo, informou que está convocando os bicicleteiros de Maceió para um protesto, nesta terça-feira (29), com concentração às 19h30 no Corredor Vera Arruda, onde José Alfredo Vasco Tenório foi morto. “Os ciclistas são alvo constante de assaltos em Maceió. Muitos já não saem de casa, para pedalar, montados na bicicleta: levam atrelada ao carro e só tiram quando estão em grupo, com medo de assalto”, revelou.

Disque-denúncia

A Polícia Civil de Alagoas pede a quem tiver informações que possam levar aos autores do assassinado do médico José Alfredo Vasco Tenório que colabore através do Disque-Denúncia, pelos telefones gratuitos 0800-284-9390 ou 181. Os nomes dos denunciantes serão mantidos no mais absoluto sigilo.



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