Durante enterro, avó de menino encontrado morto passa mal e pede justiça

30/06/2013 18h02
Acássia Deliê

Avó de Felipe precisou ser amparada por parentes e amigos (Crédito: TNH1)
Avó de Felipe precisou ser amparada por parentes e amigos (Crédito: TNH1)

O menino Felipe Vicente da Silva, de dois anos de idade, foi enterrado na tarde deste domingo (30) no cemitério São José, bairro do Prado, em Maceió-AL. Dezenas de amigos e familiares compareceram ao sepultamento e ouviram os gritos de desespero da avó do garoto, a pastora evangélica Maria de Fátima Mota, que pedia Justiça para o crime.

“Quem foi esse monstro que fez isso com ele?”, gritava entre soluços. “Eu nunca mais vou ver ele dentro de casa, agora está ali só os ossinhos. Eu quero Justiça”, dizia Maria de Fátima olhando para o pequeno caixão branco onde Felipe foi enterrado.

Ao chegar ao cemitério, a avó do garoto conversou rapidamente com o conselheiro tutelar Fernando da Silva, da região do Tabuleiro do Martins, e pediu apoio durante as investigações da polícia.

“Não me deixe sozinha nesta luta, Fernando. Você viu o que disseram? Não me deixe sozinha”, pedia, referindo-se à declaração do delegado Denisson Albuquerque de que a mãe de Felipe pode ser investigada por omissão de tutela.

Felipe desapareceu no último dia 16, ao ser deixado pela mãe na porta da igreja evangélica da avó do garoto, localizada no Cleto Marques Luz, parte alta da capital. No momento do desaparecimento, segundo a própria mãe, o menino estava sentado sozinho na calçada enquanto ela preparava leite para o filho. Felipe foi encontrado morto e enterrado em um terreno baldio no Tabuleiro do Martins na manhã deste sábado (29).

Conselheiro lembra caso Josué

Questionado sobre o caso de Felipe, o conselheiro Fernando da Silva reconheceu o descuido da família, mas também criticou o trabalho da polícia nos primeiros dias após o desaparecimento. Fernando afirmou que as primeiras pistas não foram investigadas e lembrou a morte do garoto Josué, de cinco anos, ocorrido no ano passado.

“Foi um caso bem parecido. O menino sumiu na porta de uma igreja e foi encontrado morto no Clima Bom. Até hoje a polícia não deu respostas para esse crime. Neste caso [Felipe], as primeiras pistas não foram investigadas”, disse o conselheiro tutelar.

A reportagem do TNH1 tentou falar por telefone neste domingo com o delegado Denisson Albuquerque, que trabalha na investigação junto com os delegados Antonio Henrique e Bárbara Arraes, mas o telefone dele estava desligado. Neste sábado (29), o delegado afirmou que já existe um suspeito da morte, mas não revelou seu nome.

Padrasto falou sobre relação com o garoto

O enterro de Felipe foi realizado em clima de muita comoção. A avó do menino chegou a passar mal e precisou ser amparada por parentes e amigos, inclusive a vereadora Heloísa Helena, que é amiga da comunidade evangélica e compareceu ao sepultamento, junto com a deputada estadual Thaíse Guedes.

Durante todo o tempo, a mãe do menino, identificada como Helena foi amparada pelo companheiro, Sandro Jacinto, de 32 anos, que há dois anos era padrasto de Felipe. Sandro, que tem uma filha de um ano com a esposa, relatou que a convivência com o enteado era “normal”, mas que ele não morava com o casal.

“Ele morava com a avó, que era muito apegada a ele, mas a mãe ia para a casa dela todo dia e ficava lá até a noite cuidando dele. Ele sumiu do nada da porta da igreja [que fica embaixo da casa da avó], ninguém viu”, contou Sandro Jacinto. “Eu não estava lá na hora, estava na casa de uma tia e quando cheguei em casa já vi o povo procurando por ele”.

Morte pode ter sido a paulada

Na manhã deste domingo, a mãe de Felipe aceitou falar por alguns minutos por telefone com a reportagem do TNH1 e contou o que ouviu do médico legista que acompanhou o reconhecimento do corpo neste sábado, no IML. Helena, como se identificou a mãe, diz que uma pancada na cabeça pode ter levado o filho à morte.

"Ouvi isso do médico que verificou o corpo. Ele disse que havia uma pancada muito forte na cabeça dele [Felipe], que abriu o crânio. Ele acha que pode ter sido uma paulada e disse também que, por causa do estado do corpo, não tinha como dizer se houve tortura ou estupro", relatou Helena.

O corpo de Felipe, em avançado estado de putrefação, foi localizado num terreno baldio em obras, no Tabuleiro dos Martins, enterrado num buraco. A família fez o reconhecimento pelas roupas que o menino usava no dia em que sumiu da porta da casa da avó, que fica no bairro Santa Lúcia, no dia 16 de junho.

Os restos mortais passaram por exame de DNA para confirmar que se trata de Felipe Vicente, mas o resultado ainda não foi divulgado. Devido ao estado avançado de decomposição, somente um exame minucioso poderá precisar a causa da morte.

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