Meninos que mataram irmão 'treinavam' lutas em casa por influência da TV, diz delegado

05/02/2013 13h14
Acássia Deliê

Denisson Arthur Miranda Melo tinha dois anos (Crédito: Reprodução - TV Pajuçara)
Denisson Arthur Miranda Melo tinha dois anos (Crédito: Reprodução - TV Pajuçara)

O caso do menino Denisson Arthur Miranda Melo, de dois anos, morto após ser atingido por vários golpes de luta aplicados pelos irmãos de 11 e 13 anos, reacende uma antiga discussão sobre a influência da mídia na formação de crianças e jovens. Em entrevista à TV Pajuçara, o pai dos garotos, o pintor Daniel Leal de Melo, deixou um recado para outros pais: “não deixem seus filhos assistirem tudo na televisão, esses desenhos e filmes de violência”. 

O pai afirma que os filhos estavam sendo influenciados pelas produções baseadas em roteiros de violência e, em casa, buscavam imitar as cenas. Com a ausência da mãe das crianças, que segundo Daniel é usuária de crack e “vive mais tempo na rua do que em casa”, os três meninos acabavam ficando sozinhos em casa quando o pintor precisava sair. Foi o que aconteceu na noite desta segunda-feira (5).

Quem atendeu e registrou a ocorrência no plantão da Central de Polícia foi o delegado Oldemberg Paranhos, que ouviu os depoimentos dos garotos sobre a morte do irmão menor. O delegado reforça a versão de Daniel e reafirma a influência da mídia no comportamento das crianças. Segundo Paranhos, os irmãos de 11 e 13 anos assistiam cenas de luta na TV e “treinavam” os golpes no pequeno Denisson.

Apesar disso, a “brincadeira” perigosa que acabou em morte só não está sendo considerada crime por causa da idade dos garotos. “Apesar da influência da mídia, visivelmente houve dolo eventual no caso. Foi uma lesão seguida de morte”, explica o delegado, que encaminhou o menino de 13 anos para a custódia da Polícia Civil até uma decisão da Justiça sobre o caso.

Já o filho de 11 anos foi liberado, mas será acompanhado pelo Conselho Tutelar e deve comparecer à Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente, para prestar esclarecimentos à delegada Bárbara Arraes.

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