De volta, nora de Marcos Santos quer auditoria na prefeitura de Traipu

09/05/2012 12h01
Da Redação

Julliany volta ao cargo hoje por determinação do STJ (Crédito: Assessoria)
Julliany volta ao cargo hoje por determinação do STJ (Crédito: Assessoria)

A prefeita afastada de Traipu, Julliany Machado, nora do ex-prefeito Marcos Santos, volta ao cargo nesta quarta-feira (9), por determinação do Superior Tribunal de Justiça, que suspendeu a decisão da Justiça Federal de afastá-la sob acusação de improbidade administrativa em fevereiro deste ano. Sua assessoria confirmou que ela retoma os trabalhos ainda hoje e que seu primeiro ato será assumir a auditoria nas contas do município, que estava sendo comandado pela presidente da Câmara de Vereadores, Conceição Tavares, sua inimiga política.

Em nota à imprensa, a Julliany alega que, ao ser afastada, deixou R$ 8 milhões em caixa e todas as contas da Prefeitura de Traipu em dia. "Vamos solicitar à Justiça o devido acompanhamento de toda documentação que lhe for disponibilizada neste período de transição para apurar qualquer irregularidade que possa ter sido cometida por Conceição Tavares", disse a nora de Marcos Santos, que foi afastado e preso por desvio de verbas federais.

No comunicado, Julliany Machado faz críticas à presidente da Câmara Municipal, alegando que Conceição Tavares não estaria conformada com a decisão do Superior Tribunal de Justiça e, por isso, tentava ludibriar a população de Traipu que voltaria ao cargo em breve.

Conceição Tavares, que ainda está no comando do município, falou nesta manhã com o Tudo na Hora e disse que a população da cidade está do seu lado. Segundo ela, ontem à tarde houve um protesto contra a decisão da Justiça em devolver o mandato para Julliany Machado.

"Não fui ainda informada da decisão do tribunal, mas só tenho a lamentar. Quem perde com isso é a população de Traipu, já que ela é apenas um fantoche nas mãos do ex-prefeito Marcos Santos", critica Conceição Tavares.

Julliany: afastada por desvio de dinheiro da merenda escolar

Em fevereiro deste ano, a Justiça Federal determinou o afastamento de Julliany Tavares Machado dos Santos do cargo de prefeita em exercício de Traipu, por 180 dias. Vice-prefeita, Julliany substituía o prefeito Marcos Santos, seu sogro, também afastado pela Justiça e investigado - assim como ela - por desvios de verbas públicas junto com outras oito pessoas. Presidente da Câmara Municipal de Traipu, Conceição Tavares, assumiu conforme decisão do juiz Gilton Batista Brito, da 8ª Vara Federal em Arapiraca.

Julliany é acusada de fazer parte de uma quadrilha que desviava dinheiro da merenda escolar para compras particulares da família de Marcos Santos. De acordo com os documentos obtidos pelo MPF, as compras era ordenadas por bilhetes redigidos pela mulher de Marcos Santos, Juliana Kummer, e pela própria Julliany, vice do sogro, em valores mensais variando entre R$ 9 e R$ 10 mil.

Itens como ração para cães e uísque entravam na lista dos produtos adquiridos com verba pública, ao passo em que a merenda escolar apresentava, e ainda apresenta, irregularidade seja na quantidade, seja na qualidade dos produtos. O MPF descobriu ainda que, em alguns casos, os alunos ficam sem merenda durante cerca de três meses; em outros, dispõem apenas de bolachas para alimentação.

Também participava do esquema o grupo empresarial 15 de Novembro, investigado pela fraude nas licitações e fornecimento de merenda para vários municípios do interior de Alagoas. A quadrilha foi desbaratada durante a operação Mascotch, deflagrada no ano passado.

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